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Como princípio, a Umbanda é dirigida por Sete Linhas (Falanges Espirituais), governadas por um Orixá africano específico. Essas Linhas detêm espíritos de ancestrais que se identificam em cada uma delas, podendo ser Caboclos (indígenas), Pretos-Velhos (antigos escravos), Crianças que se manifestam em seus médiuns. Os Exus não pertencem diretamente à Umbanda e sim à Quimbanda, trabalhando na primeira com fins evolutivos. Para conhecê-las melhor, segue abaixo a imagem do santo católico que o representa na Umbanda (dependendo da região do país isso pode mudar), o Orixá africano e suas funções:
Na Umbanda, a Linha de Oxalá (representado por Jesus Cristo) ocupa o grau maior e, pode-se dizer, a própria Umbanda, por origem, pertence a ela. Agrega-se aqui os anjos, santos, espíritos missionários. Administram todas as outras demais Linhas, através de seus Caboclos, manifestando-se na grandeza dos céus. Irradia amor e paz, união e sabedoria profundas, promovendo a concórdia.
Iemanjá é a rainha do mar, considerada esposa de Oxalá. Na Umbanda é mãe de todos os Orixás, agregando em si o governo de todas as Iabás (Orixás femininos, senhoras de rios e águas). Seus Caboclos e Caboclas promovem o amor (maternal, filial, universal), a gestação, a riqueza física e espiritual, a união e formação das famílias, os sentimentos mais nobres. Sua imagem mais popular é aquela de onde sai das águas quase como uma fada, contudo é também representada por Nossa Senhora dos Navegantes.
A Linha de Ogum (sincretizado com São Jorge) é imbatível no combate ao mal, sendo a manifestação da coragem, disciplina, retidão de caráter e heroísmo. Não há guerras ou demandas (lutas espirituais) que esses valorosos Caboclos não se lancem e vençam. Lideram os avanços tecnológicos, manejo dos metais e impulsionam às conquistas maiores da Humanidade.
A Linha de Oxóssi (sincretizado com São Sebastião) possui Caboclos e Caboclas destemidos, nela manifestando-se espíritos das mais diferentes tribos indígenas do Brasil (mais numerosos) e do resto da América. Semelhantes à Linha de Ogum, são guardiões de lares e terreiros. Agrega aqui as entidades que trabalham para OSSÃE, senhor das folhas, promovendo a cura espiritual e material. São eles que trazem recursos às mesas (pois é caçador), a busca ao trabalho, a proteção máxima à Natureza e aos animais.
Sua rainha é Iansã, sendo o grande rei, senhor dos raios e fogo. Os ofendidos, os humilhados recorrem a Xangô, representado por São Jerônimo (Agodô), São João (Caô) ou São Miguel Arcanjo (Aganjú) em diferentes atribuições. Jamais nega recursos aos que procuram pela justiça. É o defensor dos pobres, senhor da cultura, dos estudos, o progresso científico. Todas as leis do Universo passam por Xangô. Seus Caboclos promovem a verdade, a retidão, a imparcialidade, a queda das injustiças, da mentira e dos falsos valores morais.
Yorimá (Lei Aplicada da Vitalidade Saindo da Luz), é a Linha de Pretos-Velhos (representados todos por São Benedito), espíritos de antigos escravos, sábios e sacerdotes. Hábeis no desmanche da magia negra, são detentores da experiência adquirida em inumeráveis reencarnações aplicadas, hoje, ao aconselhamento e auxílio dos sofredores. Representam e coordenam todas as demais Linhas de Almas (Yori, Ori).
Yori (Vitalidade Saindo da Luz), representados por Santos Cosme e Damião (na Umbanda aparece um terceiro personagem, nascido após os gêmeos chamado Doum) agrega todos os espíritos manifestados como crianças. Chamados também de Erês, Crianças ou Cosmes (Cosminhos), protegem as crianças, a alegria, a inocência, o otimismo, a pureza dos sentimentos. São também invocados para trazer filhos às famílias, unindo casais. ------------------------------------------------------------------------------ Outros Orixás e Falanges, também muito invocados:
Como Iabá, senhora das águas doces e cachoeiras, suas falanges estão inclusas na Linha de Iemanjá. Uma das mais populares Orixás na Umbanda, agrega inúmeras Caboclas e Caboclo (Ogum Iara) que trabalham diretamente na gestação, no amor, na doçura, ouro, riqueza e beleza. Com diferentes atribuições é representada por Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Graças ou Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Rainha de Xangô, Iabá (representada por Santa Bárbara) senhora dos raios, tempestades, furacões e ventos. Mulher forte e guerreira, defende especialmente as mulheres contra injustiças, violência e maus-tratos. Guardiã das normas sociais, o casamento como instituição lhe pertence. Impõe respeito aos mortos, protegendo terreiros e lares.
De todos os Orixás, Nanã (representada por Santa Ana) é a mais velha. Confundida às vezes com Iemanjá, Nanã comanda os pântanos e águas lodosas. É a avó cheia de doçura, que embala a vida e ensina com paciência e amor. Protege os idosos, o ensino, as forças mais antigas de magia com suas Caboclas.
Se Obaluaiê (representado por São Lázaro ou São Roque) traz a doença, ele também cura aqueles que têm fé. É o médico dos desamparados, senhor dos cemitérios, região onde são desmanchados feitiços de magia negra e malefícios de toda a sorte. Essa Linha agrega espíritos responsáveis pelo desencarne, Caboclos devotados e misericordiosos. É ele quem comanda os Exus Guardiães ligados à Linha de Almas, Calunga Pequena ou Cemitério, junto aos Pretos-Velhos.
Demonizado e mal-compreendido por ser o Orixá da fecundidade da Natureza, desde a escravatura nesse país, na Umbanda é ele quem controla a entrada e saída das porteiras, o início e o fim das giras, controla o bom andamento dos trabalhos e eficácia de todos os rituais. Essa Linha importantíssima controla os Exus Guardiães que habitam as encruzilhadas, acabando por dar-lhes nome; eis porque muitos a chamam simplesmente "Bará" (simples atributo que significa "Guardião do Corpo") para diferenciá-lo dos primeiros.
Muito pouco conhecida na Umbanda, às vezes confundida com Iansã, Obá (representada por Santa Catarina) é uma Linha de entidades guerreiras que promovem a honestidade e o cumprimento dos tratos, invocada nos males de amor. É capaz de cortar qualquer coisa (vícios, rivais), afastando o que quer que seja para conceder o bem. É cultuada em nosso terreiro.
Pouco venerado na Umbanda, Oxumarê (representado por São Bartolomeu/São Natanael) às vezes é confundido com alguma qualidade de Oxum, talvez pelo nome e desconhecimento desse Orixá. Essa Linha que manifesta-se no arco-íris promove as artes, a beleza, a estética, a riqueza, a fortuna e tudo o que alimente a alma. É venerado em nosso terreiro.
Incluso na Umbanda na Linha de Oxóssi, Ossãe é o senhor de todas as folhas. Sendo por essa razão a principal fonte de energia para nossos trabalhos, nunca deveria ser esquecido em nenhum ritual. Extraordinário é seu poder e sabedoria, agregando aqui todos os Caboclos ligados à cura, às matas e à própria Medicina. Representado por Santo Expedito ou São José, Ossãe é um dos principais Orixás.
Essa Linha de trabalho agrega espíritos ligados às antigas civilizações de todos os continentes. Magos, sacerdotes, intelectuais, cientistas, médicos reúnem-se aqui para atuar nos trabalhos de Umbanda. É chefiada pela entidade chamada Ori, subdividindo-se em sete grandes legiões. É representada por São João (Xangô Caô), reportando-se à Linha de Pretos-Velhos (Linha de Almas).
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